Casas que já foram habitadas
E que hoje ao abandono estão
Aguardam serem recuperadas
Mas não há quem lhes deite a mão
Avós, pais e filhos nelas habitaram
Isso dá uma terceira geração
Por eles foram abandonadas
Mas não se sabe a razão
Podiam ir muito mais além
E terem a mesma notoriedade
Mas para isso tinha de surgir alguém
Que goste delas de verdade
Ao vê-las nesta situação
Fico muitas vezes a pensar
Será que surgirá um bom coração
Que as queira recuperar
Manuel Pires
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Acarrejar
Debaixo de um sol abrasador
Mas sem com ele se importar
Acarreja o pão o lavrador
Para na eira o ir malhar
Por caminhos mal-arranjados
Subindo e descendo ladeiras
Andam carros carregados
Fazendo enormes chiadeiras
Assim era transportado
Para mornais se fazer
Para depois ser malhado
De manhã até ao anoitecer
Ainda me lembro das sernelhas
Das poupas e cigarras a cantar
E dos pastores e das ovelhas
Nos restolhos a pastar
Ó como é tão bom lembrar
Este tempo de acarrejar
E das arganas a picar
Causando-nos um mau estar
Manuel Pires
Mas sem com ele se importar
Acarreja o pão o lavrador
Para na eira o ir malhar
Por caminhos mal-arranjados
Subindo e descendo ladeiras
Andam carros carregados
Fazendo enormes chiadeiras
Assim era transportado
Para mornais se fazer
Para depois ser malhado
De manhã até ao anoitecer
Ainda me lembro das sernelhas
Das poupas e cigarras a cantar
E dos pastores e das ovelhas
Nos restolhos a pastar
Ó como é tão bom lembrar
Este tempo de acarrejar
E das arganas a picar
Causando-nos um mau estar
Manuel Pires
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Dia Mundial da Neve
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Artesanato
A manifestação artesanal de Valbom é muito diversificada e extremamente importante. Dando continuidade aos costumes, o artesanato projeta esta freguesia num conjunto de tradições que nos permitem ter um conhecimento mais vasto desta região.
Mantas de Trapos
Estas mantas eram tecidas num tear artesanal, utilizando trapos e fios de algodão, eram depois utilizadas como cobertores.
Cultivo de Linho
Depois de espadelado e fiado, o linho era utilizado para fazer lençóis e toalhas, entre outras peças, que faziam parte do enxoval de qualquer noiva.
Ceiras
Estas eram confecionadas com fio Cairo e tinham utilidade nos lagares de azeite, onde eram utilizadas para espremer a massa da azeitona.
Brinquedos
Os brinquedos tradicionais, de que há registo, são aqueles que permitem a continuação dos jogos, enraizados à muito nesta bela freguesia. Eis alguns brinquedos tradicionais:
Pião - Feito de madeira, com um espigão de ferro num dos extremos.Arco - Este brinquedo consiste numa roda e num gancho de ferro.
Boneca de Trapos - Bonecas feitas com restos de roupa e lãs.
Bolas de Trapos - Estas bolas são meias enchidas com trapos, podendo ser de vários tamanhos e cores.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Lembranças do passado
Estou longe da minha aldeia
Mas sinto-lhe o seu pulsar
Aí quem me dera estar à lareira
Das casas que estão a fumegar
Os sinos já estão tocando
Está na hora de regressar
E este caminho ir palmilhando
Para ir para casa jantar
São lembranças do passado
Que gosto de recordar
Ao vê-las fico num estado
Que só me apetece chorar
Manuel Pires
Mas sinto-lhe o seu pulsar
Aí quem me dera estar à lareira
Das casas que estão a fumegar
Os sinos já estão tocando
Está na hora de regressar
E este caminho ir palmilhando
Para ir para casa jantar
São lembranças do passado
Que gosto de recordar
Ao vê-las fico num estado
Que só me apetece chorar
Manuel Pires
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Velhice
Perde-se a beleza e a linha
E o nosso espírito padece
Com o peso que não tinha
Quando a gente envelhece
De nós se apodera a solidão
O nosso espírito entristece
E quem sofre é nosso coração
Quando a gente envelhece
Muitos ficam ao abandono
E tudo o mal nos acontece
Como a um cão sem dono
Quando a gente envelhece
Somos logo postos de lado
De nós a sociedade não carece
Para ela somos mais um fardo
Manuel Pires
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Da minha aldeia vê-se o mundo inteiro
Passam as horas sobre mim como a chuva grossa sobre a calçada
Os dias fecham-se em mim como o nevoeiro cerrado sobre a minha aldeia
É o outono que chama
São as folhas que se soltam dos ramos mais altos e se deixam cair no chão húmido
São os rios que ganham vida e nascem de novo
É o sol que se esconde por detrás da lua e sorri para outra gente
A vida dá e volta a dar
É o outono que chama
É a música do tempo que se acerca de mim
São as palavras verdes sobre um manto castanho
Deito-me sobre a janela da minha aldeia e vejo a lua
Vejo a lua e sei que estás do outro lado
Da minha aldeia vê-se o mundo inteiro.
Texto retirado do Blog "Viajante Intemporal"
Os dias fecham-se em mim como o nevoeiro cerrado sobre a minha aldeia
É o outono que chama
São as folhas que se soltam dos ramos mais altos e se deixam cair no chão húmido
São os rios que ganham vida e nascem de novo
É o sol que se esconde por detrás da lua e sorri para outra gente
A vida dá e volta a dar
É o outono que chama
É a música do tempo que se acerca de mim
São as palavras verdes sobre um manto castanho
Deito-me sobre a janela da minha aldeia e vejo a lua
Vejo a lua e sei que estás do outro lado
Da minha aldeia vê-se o mundo inteiro.
Texto retirado do Blog "Viajante Intemporal"
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